Por que é importante proteger a tainha

A tainha é uma das principais pescarias no Brasil, garantindo trabalho, renda e segurança alimentar para milhares de famílias e provendo alimento de qualidade para a população. Trata-se de uma importante atividade econômica — principalmente na costa Sul e Sudeste do país — além de ser parte da tradição culinária brasileira. Em Santa Catarina, ela é tão importante que o estado aprovou uma lei em 2012 declarando a tainha patrimônio cultural imaterial de todos os catarinenses.

Se não monitorada, manejada e fiscalizada corretamente, toda essa riqueza estará em risco. Nos últimos anos, a quantidade de tainha retirada da água tem sido maior que a capacidade biológica que a população tem de se recuperar (ou recompor). Estamos pescando acima do limite, em um estoque que já está sobrepescado, como indicou a avaliação de estoque realizada pela Oceana. Além disso, a tainha é pescada em seu período reprodutivo, quando ocorre a corrida de imensos cardumes para o norte. Uma pesca, portanto, que atua em um momento de grande vulnerabilidade para a espécie, aumentando o risco e a gravidade da sobrepesca.

A sobrepesca, se acentuada ano a ano, pode colocar em risco essas pescarias, com sérias ameaças a negócios, empregos, renda, subsistência e segurança alimentar de milhares de famílias que vivem da tainha. Isso sem contar o risco do impacto ambiental e ecossistêmico que a diminuição dessa população poderia causar.

O problema já foi identificado por cientistas pesqueiros, pelo Ministério Público, pelo Judiciário e pelo próprio governo federal, que instituiu, em 2015, o Plano de Gestão da Pesca da Tainha, por meio dos ministérios da Pesca (extinto) e do Meio Ambiente. As duas pastas contaram com o apoio de um Grupo Técnico de Trabalho da Tainha (GTT Tainha), que levantou informações entre 2012 e 2014 para subsidiar a elaboração do plano. O documento é o único Plano de Gestão de uma espécie existente no Brasil. Entretanto, precisa, sempre, estar aberto para agregar novas informações e orientações de manejo.

Nos documentos que você encontra aqui, existe um conjunto de novas informações e algumas sugestões e recomendações de especialistas. Trata-se de um esforço que a Oceana faz para subsidiar as decisões governamentais que devem ser tomadas para que os estoques Sul e Sudeste da tainha sejam protegidos e se evite situações semelhantes à que aconteceu em Cuba, onde a população de Mugil liza declinou fortemente em decorrência da sobrepesca no período reprodutivo e sobre agregações migratórias (Claro et al. 2009).