Abril 14, 2026
5 mitos e verdades sobre o mar profundo
Por: Oceana
O TEMA: Proteger habitats
Cerca de 70% do nosso planeta é coberto pelos oceanos. Esses ambientes possuem, em média, 3.700 metros de profundidade, segundo recentes estimativas científicas. E tudo que está abaixo de 200 metros constitui o que chamamos de mar profundo. Em torno de 80% da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil, por exemplo, é formada por ambientes de profundidade – o equivalente a 3,5 milhões de quilômetros quadrados.
No entanto, em tempos de missões espaciais e astronautas televisionados, é preciso lembrar que conhecemos mais sobre a superfície de Marte do que o fundo do mar.
Isso acontece porque esses são locais difíceis de serem acessados: escuros e gelados, com correntes de água intensas e sob forte pressão. Não por acaso, são conhecidos como a última fronteira do nosso planeta. Mas eles merecem mais atenção. E precisam, sobretudo, ser mais estudados e protegidos, com base na ciência e em regras claras para sua exploração.
Mas o que já sabemos sobre o tema?
Conheça aqui alguns mitos e verdades sobre as regiões mais profundas dos oceanos:
1) O mar profundo é apenas uma bacia de água salgada, escura e de paisagem monótona
É mito! Este é o maior e mais contínuo ecossistema do planeta. Logo, assim como nos ambientes terrestres, o fundo do mar é repleto de variações de relevo, em áreas complexas formadas por imensas planícies, vales, montanhas, cânions e até cordilheiras. É justamente essa topografia acidentada, inclusive, que cria as condições ideais para o crescimento de imensas estruturas de corais nessas regiões, onde já foram identificados recifes de até 100 metros de altura.
2) No mar profundo reina a escuridão absoluta
É meia verdade! A luz solar que incide sobre o oceano vai perdendo sua intensidade enquanto penetra no fundo do mar, até se extinguir completamente. Portanto, esse é mesmo um ambiente muito escuro e frio. Mas algumas espécies que ali habitam são bioluminescentes – que é a capacidade de produzir luz, emitindo lampejos, como os vagalumes.
3) Não existe vida no mar profundo
É um grande mito! Apesar da ausência de luz solar e, consequentemente, da baixa produção de alimentos nessas regiões, existe uma rica biodiversidade que ali habita, como peixes, crustáceos, moluscos, corais e muitos microrganismos – são mais de 10 milhões de espécies! Elas se adaptaram a esse ambiente desafiador se alimentando principalmente da matéria orgânica que cai da superfície marinha.
4) O mar profundo se relaciona diretamente com o restante do planeta
Verdade! Apesar de todos os mistérios ainda a serem revelados, já sabemos que ele desempenha um papel vital na manutenção da vida na Terra, principalmente na regulação climática e na sustentação de complexas redes alimentares. O mar profundo contribui, por exemplo, para o que se chama de “bomba biológica” – um conjunto de processos naturais pelos quais os oceanos retiram carbono da atmosfera e o armazenam lá no fundo, ajudando a frear o aquecimento global e contribuindo para o equilíbrio do clima. Além disso, estudar sua biodiversidade pode nos ajudar a encontrar respostas para diversos problemas, como o combate a doenças.
5) A exploração do mar profundo não traz prejuízos para a humanidade
O mais profundo dos mitos! Não é porque não conhecemos um ambiente com precisão, que podemos explorá-lo sem limites. Pelo contrário. Por serem regiões sensíveis e ainda pouco estudadas, elas são ainda mais vulneráveis e qualquer tipo de ação humana exige o dobro de cuidado por ali. A pesca industrial de arrasto, que captura espécies de profundidade, como camarões, impacta esses ecossistemas de forma, muitas vezes, irreversível. Também a exploração de petróleo e gás e a mineração são fontes de grave impacto a esses ecossistemas.
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