Oceana convoca governos a priorizar comunidades artesanais na "Conferência Our Ocean" - Oceana Brasil
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Junho 15, 2026

Oceana convoca governos a priorizar comunidades artesanais na “Conferência Our Ocean”

Por: Oceana

“Os oceanos são uma fonte vital de alimento, empregos e segurança econômica para milhões de pessoas em toda a África”, afirma Sonia Kwami, diretora geral da Oceana em Gana. Foto: Oceana/ Michael Aboya

 

Evento global começa amanhã (16/6) e ocorre pela primeira vez no continente africano 

Nessa semana, entre os dias 16 e 18 de junho, a cidade de Mombasa, no Quênia, recebe a 11ª Conferência Our Ocean – em português, “Nosso Oceano”. A Oceana é uma das organizações presentes no evento e tem como prioridades para essa edição: o fortalecimento da proteção de habitats marinhos; o aumento da transparência na atividade pesqueira global; e o posicionamento de pescadores e pescadoras artesanais e comunidades costeiras no centro das decisões sobre os oceanos. 

Para isso, a organização convida os governos a trabalharem para garantir que os benefícios de um oceano abundante cheguem às pessoas que mais dependem do mar como fonte de trabalho, renda, cultura e, sobretudo, alimento saudável. 

“Os oceanos são uma fonte vital de alimento, empregos e segurança econômica para milhões de pessoas em toda a África”, afirma Sonia Kwami, diretora geral da Oceana em Gana. “Com a reunião de líderes no Quênia, temos uma oportunidade real de promover soluções práticas que protejam os ecossistemas marinhos, recuperem as populações de peixes e garantam que as comunidades costeiras e os pescadores artesanais possam continuar prosperando. Afinal, os pescadores artesanais devem ter acesso prioritário aos peixes em suas próprias águas.” 

Em territórios (e maretórios) africanos 

O ano de 2026 marca a primeira Conferência Our Ocean em solo africano. É também o ano em que a Oceana abriu seu primeiro escritório no continente, inaugurando uma relevante frente de mobilização junto às comunidades locais para a conservação marinha.  

“Para milhões de pessoas em toda a África, o oceano é essencial em termos de segurança alimentar, meios de subsistência, oportunidades econômicas e resiliência climática”, explica Betsy Njagi, secretária do Departamento de Estado para Economia Azul e Pesca do Quênia. “No entanto, os ecossistemas marinhos enfrentam ameaças cada vez maiores. A realização da conferência na África pela primeira vez é um importante marco para a governança dos oceanos, a conservação marinha e a economia azul sustentável. Além disso, é também uma oportunidade de fortalecer a cooperação internacional e acelerar as ações de proteção do oceano para as gerações futuras.” 

Desafios para os mares 

Em toda a África, centenas de milhões de pessoas dependem do oceano para alimentação e renda, mas os ecossistemas marinhos estão sob crescente pressão devido à sobrepesca, poluição e mudanças climáticas. 

“Em viagens de pesquisa ao longo dos anos, eu vejo os mesmos padrões se repetirem de uma costa à outra: os ecossistemas marinhos enfrentam pressões maiores, a pesca está se tornando mais perigosa e os peixes estão mais escassos e mais caros”, relata Christina Hicks, cientista queniana-britânica e membro do Conselho da Oceana. “Ao longo do litoral da África e em todo o mundo, as comunidades pesqueiras estão sujeitas à diminuição das populações de peixes, ao aumento dos custos e aos impactos climáticos. Esta conferência é uma oportunidade para os líderes promoverem, juntos, políticas oceânicas que protejam a segurança alimentar, os meios de subsistência e os ecossistemas marinhos”. 

A pesca industrial em águas africanas, inclusive por frotas de propriedade estrangeira, é uma das atividades que levanta preocupações sobre transparência, responsabilização e acesso equitativo aos recursos marinhos. Grande parte das capturas dessas embarcações é exportada para países mais ricos, reduzindo o que está disponível às comunidades locais que realmente dependem do pescado para sua nutrição e subsistência. Além disso, a pesca ilegal, não declarada e não reportada custa à África uma média estimada de 11 a 13 bilhões de dólares por ano. 

A melhoria da transparência na pesca global, incluindo um monitoramento mais rigoroso da atividade pesqueira e da propriedade das embarcações, o acesso público à informação e uma fiscalização mais rigorosa do cumprimento das regulamentações existentes, pode ajudar a conter a pesca ilegal e destrutiva no continente, fornecer dados para a recuperação das populações de peixes e apoiar a defesa dos direitos de pescadores e pescadoras artesanais e das comunidades costeiras. 

A Conferência 

Our Ocean reúne, anualmente, governos, organizações não-governamentais, setor privado e comunidade acadêmica para identificar soluções baseadas em ações e assumir compromissos concretos para proteger os oceanos. A agenda é considerada crucial para a comunidade oceânica, para a troca de experiências, compartilhamento de aprendizados em ciência e tomada de decisões eficazes.  

Desde seu lançamento em 2014, ela já deu origem a mais de 2.900 compromissos, totalizando mais de 169 bilhões de dólares em apoio a ações para a preservação dos oceanos.