Outubro 22, 2025
Espanha anuncia proteção de áreas marinhas, totalizando 17 mil km²
Através de diversas expedições, a Oceana estudou esse território de forma minuciosa e há anos luta pelas suas espécies vulneráveis e habitats sensíveis
O governo da Espanha anunciou, no início de outubro, a proteção de um território de 17 mil km² de habitats marinhos, sendo cinco novas áreas marinhas e uma área de especial importância para aves. Com a decisão, o país passa agora a ter 22,45% de suas águas protegidas, aproximando-se da meta de 25%, anunciada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez na 3ª Conferência das Nações Unidas para o Oceano (UNOC-3), realizada em junho, na França.
O anúncio inclui os montes submarinos do Canal de Maiorca, os montes submarinos e o campo de (tipo de depressões circulares no fundo do mar) de Seco de Palos, o sistema de cânions de Capbretón, os bancos do Mar de Alborán e a Costa Central da Catalunha, e deve ajudar na conservação de espécies como tartarugas e golfinhos, além de recifes e pradarias típicas da região do Mediterrâneo. Além disso, a designação também beneficia as comunidades costeiras e ajuda a promover a transição para um modelo de pesca sustentável.
“As áreas designadas são biologicamente ricas, muitas delas conhecidas por serem pontos críticos de biodiversidade submarina e por abrigarem espécies vulneráveis e habitats sensíveis. Graças às nossas expedições e à comunidade científica, agora sabemos mais sobre esses ecossistemas, o que reforça a necessidade urgente de protegê-los”, explicou Ricardo Aguilar, diretor de expedições da Oceana.
Nos montes submarinos do Canal de Maiorca, por exemplo, a organização realizou várias missões de exploração, utilizando um robô subaquático e seu catamarã de pesquisa, registrando dezenas de imagens e estudando amostras biológicas. Em Cabo de Palos, a Oceana também foi pioneira na documentação do fundo marinho, revelando ecossistemas ricos e ainda pouco conhecidos.
“É muito gratificante ver que áreas de grande valor biológico foram finalmente protegidas. Este é um passo importante para reforçar o compromisso da Espanha com a criação de uma rede de ecossistemas resilientes no ambiente marinho”, destacou Michael Sealey, assessor sênior de políticas da Oceana na Europa. “No entanto, a tarefa que temos pela frente continua sendo a gestão adequada de todas essas áreas para evitar que atividades destrutivas, como a pesca de arrasto, ocorram dentro delas”.
Continuidade e ação
O anúncio das seis áreas marinhas protegidas faz parte do LIFE INTEMARES, o maior projeto europeu para a conservação marinha. A novidade contribui ainda para o cumprimento da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia para 2030 e dos compromissos nacionais da Espanha para a proteção do oceano.
Agora, essas áreas deverão ser aprovadas pela Comissão Europeia para se tornarem parte da Natura 2000 – uma rede ecológica de áreas protegidas, criada para conservar os habitats e as espécies mais ameaçados da União Europeia. A partir disso, a Espanha terá seis anos para implementar planos de gestão adequados para proteger os valores naturais dessa região. Até que isso aconteça, o governo do país deve estabelecer medidas de precaução para garantir que os habitats e as espécies dessas áreas não sofram os impactos negativos de atividades humanas destrutivas.
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