Outubro 29, 2025
Novo relatório internacional recomenda aumento da produção sustentável de pescado
Por: Oceana
O TEMA: Save the Oceans, Feed the World
Mais da metade da população mundial enfrenta dificuldade de acesso a dietas saudáveis, com impactos negativos na saúde pública, na igualdade social e no meio ambiente
A Comissão EAT-Lancet publicou, neste mês de outubro, um novo relatório que conclui que peixes e crustáceos são os únicos produtos de origem animal cuja produção deve ser ampliada para assegurar uma dieta saudável à população global, respeitando os limites ambientais do planeta. Esse aumento, no entanto, precisa ser sustentável – como defende a Oceana desde sua criação.
“Em todo o mundo, o pescado é uma parte essencial das dietas saudáveis, sustentáveis e tradicionais”, afirma o presidente executivo da Oceana, James Simon. “O relatório da EAT-Lancet destaca uma peça fundamental desse quebra-cabeça: o enorme potencial de recuperação das pescarias selvagens para ajudar a garantir segurança alimentar. Sabemos que um oceano restaurado pode prover uma refeição saudável de pescado todos os dias, para sempre, a 1 bilhão de pessoas. Ao reconstruir essas populações, reduzir a perda e o desperdício, e garantir que permaneçam acessíveis às comunidades costeiras que mais dependem delas, podemos, além de alimentar as pessoas, também proteger a saúde dos oceanos e promover mais equidade”.
A Comissão EAT-Lancet é uma iniciativa científica internacional (formada pela fundação EAT e a revista científica The Lancet), que reúne especialistas de diversas áreas para debater como alimentar uma população crescente, de forma saudável e sustentável. Segundo seu novo relatório, mais da metade da população mundial enfrenta dificuldades para acessar dietas saudáveis, o que pode levar a consequências graves para a saúde pública, para a igualdade social e para o meio ambiente.
Atualmente, pelo menos 740 milhões de pessoas dependem do oceano para alimentação e/ou para subsistência. No entanto, inúmeras pescarias estão em declínio devido à pesca destrutiva e ilegal, à gestão deficiente e aos impactos climáticos. Além disso, vários países industrializados exploraram excessivamente a pesca em suas próprias águas e agora estão atuando em mares de outras nações, causando uma pressão injusta sobre as comunidades locais, que não têm meios para impedir isso.
“Nós simplesmente transferimos o problema para outro lugar”, aponta Tess Geers, diretora sênior de pesquisas da Oceana. “Isso ameaça a segurança alimentar, os meios de subsistência e as culturas de comunidades costeiras em todo o mundo, que enfrentarão pobreza, desnutrição ou as duas coisas, caso percam acesso aos pescados. Por isso, se quisermos cumprir a recomendação da Comissão EAT-Lancet, é necessário que nossos oceanos e as pescarias que eles sustentam tenham saúde e resiliência máximas”.
Isso também significa, como observa o relatório, que não podemos depender de um modelo de crescimento tradicional da aquicultura, considerando os sérios impactos ambientais que alguns de seus métodos podem gerar. “Nem todas as aquiculturas ocorrem de modo igual”, acrescentou Geers. “A criação de peixes carnívoros, como o salmão, por exemplo, requer antibióticos, pesticidas e grandes volumes de peixes capturados na natureza para alimentar os que estão sendo criados – o que pode ameaçar ecossistemas importantes e a segurança alimentar. Retirar cardumes inteiros da natureza para alimentar espécies em criadouro não é sustentável. Isso beneficia algumas poucas pessoas, enquanto exclui os pescadores de seus próprios mercados e reduz a disponibilidade de pescado local para as pessoas que mais dependem dele”.
Proteger os oceanos e alimentar o mundo
A Oceana trabalha para que governos, sociedade civil e indústria enfrentem esse desafio, recuperando o bem comum mais precioso do nosso planeta: o oceano e a sua biodiversidade e abundância. “Nós reconhecemos e apoiamos, na medida de nossas possiblidades, as comunidades costeiras na defesa de seus direitos e no fortalecimento de seus modos de vida, com o propósito de garantir a continuidade de sua fonte de alimento e de renda”, explica o diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni.
“Um exemplo disso é o que estamos fazendo aqui no Brasil ao apoiar a construção de uma nova legislação pesqueira proposta no Projeto de Lei 4789/2024, em tramitação no Senado. Nesse texto estão as digitais dos pescadores e pescadoras de todo o Brasil e, especialmente, a esperança de um futuro mais saudável e justo para todos”, complementa o oceanólogo.
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