Cota para a pesca da tainha traz avanços, fortalece sistema de informações e gera demanda por mais tecnologia



11 Setembro 2018

A safra da tainha de 2018 gerou uma produção total em Santa Catarina de 7.209 toneladas. A frota industrial, responsável por 78% da pesca, teve uma atividade especialmente concentrada. Praticamente toda a produção ocorreu em um período de apenas sete dias. Já a pesca artesanal foi melhor distribuída no tempo, com picos no mês de junho, até o fechamento da safra no dia 27 daquele mês. É sobre esses números que se debruçou o Comitê de Acompanhamento das Cotas de Captura da Tainha, que encerrou na última quinta-feira (06/09) suas atividades.

Em sua estreia o mecanismo de cotas, que terá ajustes para a próxima temporada, ajudou a evitar uma super-captura que poderia ter comprometido a espécie, concluiu o Comitê. Esse grupo, que conta com a participação da ONG Oceana, é formado por representantes do governo federal, da indústria pesqueira e dos pescadores artesanais e reconhece que as cotas foram largamente excedidas. No entanto, também reconhece que o sistema de acompanhamento da pesca funcionou ao alertar sobre o total pescado e interromper a captura, tão logo se percebeu que já havia volume excedente ao limite definido.

“Se as cotas não tivessem sido adotadas, o volume pescado em 2018 poderia ter sido muito superior pois independente de uma redução do número de barcos, eles seguiriam pescando por mais 50 dias e sem nenhum controle. Sem contar o número de barcos que entrariam na pescaria através de liminares judiciais, como ocorreu em anos anteriores” relata o diretor geral da Oceana, o oceanógrafo, Ademilson Zamboni.

O relatório do grupo indica que apenas a frota industrial excedeu a sua cota, com uma produção 114% acida do limite estabelecido (2.221 toneladas). A produção da pesca artesanal foi de 1.093 toneladas, cerca de 91% da cota fixada em 1.197 toneladas.

“A safra de 2018 foi uma das mais produtivas nos últimos anos, os cardumes tinham grandes proporções, os peixes estavam exatamente onde a frota foi pescar, a quantidade impressionou até mesmo o setor” declara o presidente da Câmara Setorial do Cerco do Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (SINDIPI), Agnaldo Hilton dos Santos.

O acompanhamento das cotas permitiu um registro detalhado das saídas, dos picos de produção e do movimento dos barcos, o que vai permitir que o sistema seja aprimorado. No relatório aprovado ontem, o Comitê de Acompanhamento identificou ter havido um intervalo de tempo grande entre as capturas no mar e o registro da produção nas indústrias. Isso dificultou que o governo pudesse encerrar a pesca no momento ideal.

“Se não fosse pelas cotas a gente não poderia ter pescado e este ano havia peixe como não se via há muito tempo” diz Ricardo Rego, presidente da Associação dos Pescadores Profissionais Artesanais de Emalhe Costeiro de Santa Catarina (APPAECSC).

Algumas soluções já são apontadas pelo grupo para a safra de 2019 como o uso mais intenso e massivo de tecnologias de informação e comunicação. Ferramentas como os mapas de bordo digitais, controle de saída de barcos e o rastreamento das frotas vão ajudar a reforçar o controle da pesca. Além disso o volume excedente das cotas será aplicado no cálculo para a autorização da quantidade a ser pescada na safra do próximo ano, o que provavelmente impedirá a atuação da frota industrial.

“A Oceana apoiou o diálogo dos pescadores e da indústria com o governo para o estabelecimento das cotas. Nosso objetivo é ajudar a garantir a sustentabilidade da pesca, proteger a tainha, e assegurar renda e trabalho aos pescadores”, completa Zamboni.

Visite o www.tainhometro.org.br website que monitorou em tempo real a safra 2018 da tainha.