Peru se compromete a criar área de proteção marinha



28 Outubro 2019

Área abriga mais de mil espécies, entre elas a baleia-azul e a tartaruga-de-couro. Foto: Andrew Sutton           Área abriga mais de mil espécies, entre elas a baleia-azul. Foto: Andrew Sutton


O Peru irá ampliar a proteção de seu domínio marítimo. O anúncio foi feito pelo presidente da República, Martin Vizcarra, durante o III Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe (Caplac), realizado de 14 a 17 de outubro, em Lima. O evento reuniu mais de 2,5 mil participantes, entre autoridades, especialistas e estudantes de 37 países.

Em discurso, o presidente Martin Vizcarra destacou que o Peru, ao ter um dos mares mais produtivos do planeta, tomou como prioridade a criação de áreas marinhas protegidas. A proposta é criar a Reserva Nacional Dorsal de Nasca, uma cordilheira submarina localizada a 140 km da costa, com uma superfície de 52 mil quilômetros quadrados.

“O Peru é um dos maiores países pesqueiros do mundo e já se destaca na proteção de espaços terrestres. Essa seria a primeira reserva exclusivamente marinha, com a qual o país avança nas metas internacionais e do bicentenário, renovando o compromisso com a conservação marinha”, declarou a diretora-geral da Oceana no Peru, Patricia Majluf.

Na esfera da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), as Metas de Aichi recomendam que pelo menos 10% da área marinha de cada país esteja protegida até 2020. Com a nova área, o Peru protegerá 7% de seu domínio marítimo, um incremento significativo referente ao 0,5% atual.

“Essa nova reserva é muito importante porque vai ampliar a representatividade de ecossistemas marinhos protegidos no país, em uma região que abriga espécies-chave para a economia e nutrição dos peruanos”, completou.

Mais de mil espécies já foram registradas na área, das quais 30 são protegidas por apresentarem algum grau de vulnerabilidade quanto à extinção. Há grandes mamíferos marinhos, como a baleia-azul, orcas e tartarugas marinhas. Ocorrem também peixes importantes para a pesca, como os atuns. Algumas das espécies são endêmicas, ou seja, só podem ser encontradas naquele local.

 

PESCADOR BRASILEIRO RECEBE PREMIAÇÃO

O Brasil esteve presente no III Caplac com representantes do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), organizações do terceiro setor e lideranças dos povos e comunidades indígenas e extrativistas.

O pescador artesanal Carlos dos Santos, da Bahia, recebeu o Prêmio “Iniciativas Comunitárias PACKARD”, da União Internacional Pela Conservação da Natureza (IUCN), outorgado a lideranças governamentais, pesquisadores e ativistas de todo mundo que dedicam suas vidas em prol do meio ambiente. A premiação também foi concedida à representante dos povos indígenas brasileiros Sônia Guajajara.

Carlinhos, como o pescador é conhecido, dedicou o prêmio aos servidores do ICMBio e à Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (Confrem), na qual exerce a função de secretário-executivo. Sônia Guajajara tem uma história de luta em favor das terras indígenas, além de ser uma defensora do meio ambiente. Em mais de 20 anos de premiação, esta foi a primeira vez que uma indígena e um pescador artesanal receberam a homenagem.

O Brasil, com reconhecida liderança na agenda global desde 1992, registrou, na última década, a expansão do Sistema Nacional de Áreas Protegidas. O país tem hoje 18% dos ecossistemas terrestres e 26% dos marinhos em áreas de proteção. O salto foi dado em 2018, com a instituição de duas grandes Áreas de Proteção Ambiental – a APA dos arquipélagos São Pedro e São Paulo, em Pernambuco, e APA Trindade e Martim Vaz, no Espírito Santo.

 

O CONGRESSO

O Congresso de Áreas Protegidas da América Latina e Caribe foi criado em 1997 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e sua Comissão Mundial de Áreas Protegidas (CMAP). Tem por objetivo promover melhor gestão das áreas protegidas para a sociedade. As edições anteriores foram realizadas em Santa Marta, na Colômbia (1997), e em Bariloche, na Argentina (2007).

Neste ano, a Oceana participou dos debates “Manejo pesqueiro dentro das Áreas Marinhas Protegidas do Chile, Peru e Equador” e “Gestão Multisetorial em paisagens das Áreas Naturais Protegidas no âmbito marinho costeiro no Peru”, nos dias 15 e 16 de outubro, respectivamente.

Essa edição permitiu enriquecer os debates para a COP-25 sobre Mudança do Clima (Chile, dezembro 2019), a COP-15 da Convenção sobre Diversidade Biológica (Beijing 2020), o Congresso Mundial da Natureza (Marselha 2020) e o VII Congresso Mundial de Parques (2024). O evento também gerou insumos para a construção do Marco Global de Biodiversidade Post-2020.

 

Conheça mais sobre a Dorsal de Nasca em laotracordillera.pe