A estimativa de quanto se pode pescar sem comprometer a reposição da espécie é obtida através de técnicas como a avaliação de estoques. Para isso, é necessário um sistema contínuo de coleta de informações do que é pescado, quanto, como, quando, onde, e por quem.  Em todos os países onde a pesca é bem manejada, essas informações são coletadas pelo governo, por meio de alguns instrumentos como, mapas de bordo, observadores de bordo, rastreamento de embarcações por satélite e monitoramento de desembarque, além de informações socioeconômicas.

Infelizmente, este não é o caso do Brasil. O país não dispõe de um sistema de informações que subsidie a tomada de decisão pelo poder público e possibilite uma boa gestão da atividade. Desde 2008, não há um programa nacional de monitoramento pesqueiro. Por isso, não é possível saber quanto se pesca no Brasil. Até mesmo o número de pescadores e embarcações é desconhecido. 

Consequentemente, as nossas pescarias não dispõem de regulamentações, nem do controle adequados. Essa situação é responsável pela sobre-explotação da maioria dos nossos recursos, gerando danos ambientais irreparáveis, além de prejuízos socioeconômicos para os pescadores e para a sociedade como um todo.

Por isso, a Oceana defende a implementação e fortalecimento do Sistema Nacional de Informações de Pesca e Aquicultura – SINPESQ. Este sistema foi criado em 1995, pelo Decreto n.º 1.694, mas ainda não saiu do papel. Também defendemos o investimento em ciência aplicada à gestão da pesca. Só assim será possível recuperar a abundância dos oceanos, e garantir benefícios ambientais, econômicos e sociais para as presentes e futuras gerações.