POR QUE É IMPORTANTE REDUZIR A PRODUÇÃO DE PLÁSTICO NA FONTE?

Estudo publicado em 2020 citado pela Oceana fez uma avaliação do lixo encontrado na costa brasileira e constatou que 70% dos resíduos coletados em limpezas de praia no litoral brasileiro são plásticos, principalmente embalagens.

O Brasil produz cerca de sete milhões de toneladas de plástico por ano, quantidade que coloca o país na posição de maior produtor da América Latina. Desse montante, três milhões de toneladas são de plásticos de uso único colocados no mercado, como embalagens e produtos descartáveis (copos, talheres e sacolas plásticas). Esse total equivale a aproximadamente 500 bilhões de itens por ano, ou 15 mil itens por segundo.

Essa poluição causa diversos problemas para centenas de espécies marinhas, além de trazer riscos à saúde humana pela ingestão de microplásticos.

 

QUAIS SÃO OS IMPACTOS PARA A VIDA MARINHA?

Centenas de espécies marinhas estão morrendo por causa do plástico seja por ingestão, sufocamento ou emaranhamento.

  • No Brasil, foram necropsiados mais de 3,7 mil animais necropsiados, somente na região Sudeste e Sul do país, e 50% deles ingeriram plástico;
  • Um em cada dez animais que ingere plástico vem a óbito;
  • 85% dos indivíduos que ingeriram resíduos sólidos, inclusive plástico, são espécies ameaçadas de extinção.

 

POR QUE APENAS A RECICLAGEM NÃO RESOLVE O PROBLEMA?

A reciclagem é importante para reduzir a poluição por plástico. Mas, infelizmente, os dados disponíveis sobre o assunto são divergentes e baseados em diferentes metodologias. Ainda assim, o melhor cenário mostra que o Brasil não recicla nem 25% dos resíduos plásticos gerados. Os itens descartáveis, como copos, talheres, pratos, por exemplo, não têm valor para o mercado de reciclagem e acabam gerando grandes volumes de lixo.

O estudo da Oceana mostra que a reciclagem não impede o descarte de resíduos plásticos, apenas atrasa esse processo, já que esse material perde qualidade à medida que vai sendo reciclado. Para impedir que o plástico entre em nossos oceanos, precisamos reduzir a quantidade de plástico descartável, desnecessário e problemático, produzido na fonte. Essa abordagem está alinhada com os princípios da Economia Circular e abre espaço para o desenvolvimento de negócios inovadores, novas tecnologias e mercados que favorecem a reutilização de embalagens, parte crucial da solução para a poluição plástica.

A SOLUÇÃO

  • Lei nacional para reduzir a oferta e o uso de plástico de uso único: É urgente uma legislação robusta, inspirada em políticas, leis e boas experiências internacionais, visando reduzir a geração de resíduos evitáveis, problemáticos e desnecessários, assim como mais de 40 países já fizeram.
  • Oferta de alternativas sem plástico para o consumidor: As empresas devem oferecer aos consumidores opções livres de plástico para seus produtos e embalagens, a um custo similar ou menor do que as embalagens hoje utilizadas. Isso significa que as empresas precisam substituir os produtos descartáveis por opções reutilizáveis, assim como inovar e investir em sistemas de entrega com embalagens retornáveis ou reutilizáveis.
  • Zonas livres de plástico: A Oceana propõe a criação de áreas onde não são fornecidos, comercializados ou utilizados plástico de uso único, podendo ser desde escritórios corporativos, aeroportos, escolas, hotéis, quiosques de praia, até eventos ou cidades. Podem ser implementadas pelas comunidades, governos ou estabelecimentos comerciais.

 

Acesse:

Relatório “Um oceano livre de plástico – desafios para a poluição marinha por plásticos no Brasil”
A campanha da Oceana global