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Janeiro 27, 2022

Oceana lança cartilha pela recuperação da população de lagosta

O TEMA: 

Christian Braga/Oceana

Publicação explicita a urgência da adoção de limites de captura para a pesca de lagosta, que está à beira de um colapso

A cartilha “A Oceana e você: juntos pela recuperação da população de lagosta na costa do Brasil” reúne informações sobre a situação da lagosta-vermelha (Panulirus argus) e, especialmente, medidas para garantir o futuro dessa pescaria.

A pesca da lagosta tem grande importância socioeconômica no país, principalmente na costa Nordeste, garantindo a renda de mais de 15 mil famílias de pescadores e pescadoras, mas corre o risco de entrar em colapso.

Segundo um estudo realizado pela Oceana, o estoque da espécie tem apenas 18% de seu tamanho máximo, e segue diminuindo, tornando o cenário cada vez mais alarmante. “Precisamos que se estabeleça o limite de capturas para que a gente recupere a abundância dos estoques da lagosta em nosso mar”, alerta Gileno Nascimento, presidente da Associação de Pescadores e Pescadoras de Barra do Serinhaem, do município de Ituberá (BA).

O limite de captura, medida amplamente discutida entre sociedade civil, cientistas e setor produtivo, é um caminho eficaz para garantir a proteção da espécie e a continuidade da atividade. “A melhor medida de gestão para a pesca são as cotas de captura porque elas estão olhando o volume de peixe que está sendo capturado. Isso é o mais importante do ponto de vista biológico do recurso”, afirma o Diretor Científico da Oceana, Martin Dias.

Produzida com o objetivo de ampliar a voz de pescadores e pescadoras artesanais, a publicação reúne citações do setor pesqueiro e apresenta uma demanda para maior participação social no ordenamento da pescaria.

Ivan Laurindo, pescador artesanal no Ceará, ressalta: Estou nesta luta para que a lagosta seja conservada e a gente possa pescar. Porque, da maneira que vai, a tendência é a lagosta se acabar… E, se isso acontecer, acabou a pesca”.

A pescadora da praia da Redonda, em Icapuí, também no Ceará, Sidneia Luisia da Silva, explica a importância que essa atividade tem para a sua comunidade: “É muito bom você tirar seu próprio alimento do mar… [A captura tem que ocorrer] só das lagostas grandes, para poder continuar tendo lagosta para a gente até no final da vida de cada um, e futuros netos, bisnetos conhecerem a lagosta. Porque, quando você não respeita o meio ambiente, a tendência é acabar”.

As cartilhas serão entregues para pescador@s artesanais de lagosta, membr@s de conselhos e lideranças locais.