Mapas de bordo online - Oceana Brasil

Mapas de bordo online

Ferramenta de ordenamento pesqueiro

A Oceana propõe a adoção de um sistema de mapas de bordo com formulários eletrônicos e acessíveis via internet como ferramenta de ordenamento pesqueiro

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A campanha

Um dos maiores desafios para garantir a sustentabilidade ambiental, econômica e social da pesca no Brasil é superar a falta de informações públicas sobre a atividade. A prática de prestar contas à sociedade sobre o que é pescado, onde e como ocorrem essas capturas é fundamental para se realizar uma gestão pesqueira eficiente e com base científica. Os mapas de bordo – formulários nos quais são registradas operações de pesca – são um importante instrumento para gerar essas informações. No documento são registrados, por exemplo, as áreas de pesca, espécies e volumes desembarcados em cada cruzeiro. Hoje, esses importantes documentos estão amontoados em pilhas de papéis. A Oceana trabalha para que o governo brasileiro adote um sistema de mapas de bordo com formulários eletrônicos e acessíveis via internet como ferramenta de ordenamento pesqueiro. Saiba mais sobre essa campanha abaixo.

Modernização da gestão pesqueira

Quem não é do mar não imagina o “mar de papel” em que os pescadores navegam. A pesca é uma atividade regulamentada pelo governo que, em contrapartida à concessão para exercer a atividade, exige dos pescadores relatórios detalhados das operações realizadas. São os chamados mapas de bordo.

As informações contidas nesses documentos são fundamentais para o ordenamento da pesca e permitem, por exemplo, mapear a situação dos estoques pesqueiros. No entanto, os relatórios são registrados em papel e o governo historicamente não tem tido capacidade de sistematizar estes dados e disponibilizar as informações para a gestão pesqueira.

Preocupada com a ineficiência dos formulários de papel, a Oceana desenvolveu um sistema digital para a safra da tainha em 2018. Oficialmente adotado pelo governo federal, o sistema da Oceana permitiu a entrega dos mapas de bordo por meio de um aplicativo de celular durante essa pescaria. Os dados coletados pelo sistema durante a safra 2018 ajudaram, por exemplo, a monitorar a cota de captura e pontuar melhorias para os mecanismos de gestão pesqueira.

A experiência bem-sucedida na pesca da tainha, que foi mantida em 2019, serve como base para a modernização dos mapas de bordo de outras pescarias. Esses dados são fundamentais para o embasamento científico do ordenamento pesqueiro, proteção dos oceanos e fortalecimento do setor.

Assista ao vídeo sobre a situação atual dos mapas de bordo no Brasil.

 

Passo a passo dos mapas de bordo

Os mapas de bordo foram criados na década de 1970 e passaram por diversas modificações ao longo dos anos. Atualmente, o Decreto nº 4.810, de 19 de agosto de 2003, dita obrigatoriedade na entrega do documento por todas as embarcações pesqueiras que operaram nas zonas brasileiras de pesca.

O primeiro item no formulário é o esforço de pesca. Nele, registra-se o tempo que o petrecho de pesca permaneceu na água, o tempo de procura por cardumes, as características dos petrechos de pesca utilizados etc. As espécies capturadas e respectivas quantidades também são descritas, assim como a área de pesca.

Todos os dados são registrados por lance de pesca. Do mesmo modo em que informações detalhadas permitem análises mais refinadas das pescarias, torna também o registro dos dados mais trabalhoso e, por consequência, sujeito a inconsistências. O setor também enfrenta dificuldades na entrega dos documentos, uma vez que as superintendências federais – local de recebimento dos mapas – muitas vezes são distantes da comunidade pesqueira.

A modernização dos mapas de bordo para um sistema digital pode melhorar a gestão pesqueira no Brasil. O uso dos dados nele contidos possibilitaria ordenar a pesca de forma sustentável.

Vitórias

Julho, 2020

Modernização na coleta de dados de pesca

Os mapas de bordo são os registros de uma pescaria em alto mar, no entanto, no Brasil, esses documentos vinham sendo entregues em papel e esquecidos em depósitos. Suas preciosas informações raramente foram utilizadas para fins de gestão pesqueira. Após a experiência de sucesso da Oceana na pesca da tainha, o governo lançou em julho de 2020 uma base digital para entrega dos mapas de bordo. Isso já facilita o uso das informações para fins de monitoramento, pesquisa aplicada e tomada de decisão, além de reduzir a burocracia.

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