Os mapas de bordos são formulários que trazem dados sobre os cruzeiros de pesca. No documento são registrados, por exemplo, as áreas e artes de pesca, espécies capturadas e volumes desembarcados por cada embarcação.

Quem não é do mar não imagina o “mar de papel” em que os pescadores e o governo navegam. A pesca é uma atividade regulamentada pelo governo que, em contrapartida à concessão para exercer a atividade, exige dos pescadores relatórios detalhados das operações de pesca. São os chamados mapas de bordo.

As informações contidas nestes relatórios são fundamentais para o ordenamento da pesca, e permitem, por exemplo, mapear a saúde dos estoques pesqueiros alvo da frota comercial. No entanto, esses dados, registrados em papel, hoje se amontoam em pilhas que acabam sendo esquecidas dentro de algum almoxarifado do governo.

A Oceana, preocupada com esse problema, desenvolveu um formulário e sistema digital para a safra da tainha em 2018. O Governo Federal adotou a ideia e incluiu na normatização a possibilidade de entrega dos mapas de bordo pela internet. “Era opcional, mas ficou claro que a proposta é boa para todos os lados: mais de 90% dos formulários da safra foram entregues online”, afirma Ademilson Zamboni, oceanógrafo e diretor geral da Oceana no Brasil.

Os dados coletados pelo sistema digital durante a pesca da tainha no ano passado podem servir de base para a gestão da pescaria nos próximos anos. Eles ajudaram, por exemplo, a monitorar a cota de captura e a entender como os mecanismos de controle precisam ser melhorados para aumentar a eficiência das cotas como ferramenta de gestão pesqueira.

A experiência de sucesso serve como base para a modernização dos mapas em outras pescarias. “Estes dados são fundamentais para o embasamento científico do ordenamento pesqueiro. Não podemos desperdiça-los deixando trancados dentro de arquivos mortos”, completa Zamboni.

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