75% dos dinamarqueses consideram que os serviços de comida para levar devem fornecer recipientes reutilizáveis para alimentos e bebidas



03 Maio 2021

Foto: Pixabay

A Oceana perguntou a uma amostra representativa de toda população dinamarquesa sobre suas opiniões em relação aos plásticos descartáveis. Dos entrevistados, 75% acreditam que as lanchonetes deveriam oferecer aos clientes uma solução reutilizável com relação à comida para levar e consideram que o amplo uso de plásticos descartáveis ​​representa uma grave ameaça ao meio ambiente. 

A Dinamarca é um país costeiro com uma forte cultura de café para comprar e levar. De acordo com a pesquisa, a Oceana estima que os dinamarqueses consomem 10,8 milhões de copos de café por mês, e muitos desses correm o risco de acabar no oceano e afetar os ecossistemas marinhos. Os copos descartáveis ​​estão entre os 10 itens encontrados com mais frequência no meio ambiente da Dinamarca, inclusive nas praias. Esses e outros objetos de plástico representam uma ameaça direta aos animais, que morrem ao ficarem presos, ou ao ingerir, por sufocamento ou fome.

Diante desse cenário, a Oceana conclama o Parlamento dinamarquês (Folketinget) a considerar a opinião dos cidadãos em suas discussões atuais sobre a implementação dos requisitos da União Europeia para regulamentar os plásticos descartáveis no país. A organização também recomenda a eliminação gradual de copos descartáveis ​​na Dinamarca, incluindo a exigência de que 80% de todos eles sejam reutilizáveis ou retornáveis ​​até 2030. Para isso, lanchonetes e bares devem ser obrigados a oferecer aos consumidores essas opções, o que 75% dos entrevistados veriam com bons olhos.

“Essa pesquisa mostra que nove em cada 10 cidadãos estão profundamente preocupados com a poluição causada pelo plástico e gostariam de ver mudanças na legislação atual. Os representantes políticos têm a oportunidade de agir com relação a isso. O governo e todos os partidos no Parlamento devem ir além dos padrões mínimos estabelecidos pela União Europeia e acabar com essa cultura de descarte que está prejudicando o oceano. A melhor maneira de fazer isso é investir muito em opções reutilizáveis​​”, disse Naja Andersen, consultora sênior de políticas da Oceana na Europa.

Atualmente, o Folketinget está discutindo uma proposta do Ministério do Meio Ambiente para um regime de responsabilidade ampliada dos produtores com relação aos plásticos descartáveis, dentro da Diretiva sobre Plásticos Descartáveis e da Diretiva sobre Embalagens da UE. Ela prevê que os fabricantes cubram os custos de coleta e tratamento dos resíduos de seus produtos descartáveis.

BRASILEIROS QUEREM DELIVERY SEM PLÁSTICO

No Brasil, os consumidores também estão incomodados com a quantidade de itens plástico descartáveis que recebem nas entregas de comida pronta por aplicativo, como talheres, pratos, copos, sachês, canudos e mexedores. De acordo com a pesquisa “Percepções sobre o plástico entre usuários de aplicativos de delivery”, 72% das pessoasquerem receber os pedidos sem plástico descartável. Além disso, 15% afirmam já terem deixado de solicitar o serviço por se sentirem incomodados com a quantidade de plásticos enviados junto com a comida.

A pesquisa foi realizada em março deste ano pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) por demanda da Oceana e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com amostra representativa de toda a população brasileira. As duas organizações lideram a campanha #DeLivreDePlástico, lançada em dezembro passado.

Para apoiar medidas de redução dos itens plásticos enviados nos pedidos de delivery por aplicativos, a Oceana abriu uma petição pública online. Mais de sete mil pessoas já assinaram a petição em menos de uma semana – e o documento recebeu apoio de outras organizações ambientalistas e de celebridades brasileiras como os atores Mateus Solano, Cauã Raymond, Laila Zaid e a recordista mundial de surf em ondas gigantes, Maya Gabeira.

O Brasil, maior produtor de plásticos da América Latina, despeja no mar mais de 325 mil toneladas de lixo plástico por ano, piorando um tipo de poluição que, além dos impactos ambientais, também traz consequências negativas para a atividade pesqueira e para o setor turístico, como mostrou o estudo Um Oceano Livre de Plástico, publicado pela Oceana em dezembro de 2020.