Economia circular é aliada no combate à poluição por plástico



06 Dezembro 2019

Foto: Enrique Talledo | OCEANA

Com o objetivo de encontrar soluções para conter a poluição causada pelos plásticos, a Oceana realizou o debate “Poluição por plásticos: soluções a partir de uma economia circular”, na terça-feira (3), no Chile. A sessão fez parte da programação da Cúpula Social para Ação Climática, mantida no país após a transferência da 25ª Conferência do Clima (COP-25) para a Espanha. Até 11 de dezembro, serão mais de 150 atividades gratuitas organizadas pela sociedade civil.

A mesa foi moderada pela diretora da Campanha de Poluição Marinha da Oceana no Chile, Javiera Calisto, e contou com a participação de Camila Ahrendt, da Plastic Oceans Chile; Karina Arteaga, da Fundación Basura; e José Manuel Moller, da Algramo.
 
“Acreditamos ser muito importante discutir não apenas as consequências geradas pela poluição por plásticos e resíduos descartáveis sobre o meio ambiente, mas também suas diferentes soluções”, disse Calisto. “A chave está em evitar plásticos descartáveis, e optar por itens reutilizáveis para promover o que se conhece como economia circular”, acrescentou. 

A diretora enfatizou que a poluição por plásticos é um problema crescente. Em termos concretos, o mundo produziu mais plástico na última década do que durante todo o século passado; enquanto isso, mais de oito milhões de toneladas desse resíduo chegam no oceano a cada ano. Portanto, promover uma economia circular acabaria com sua produção incessante, favorecendo a reutilização desse material.

Itens reutilizáveis

José Manuel Moller, fundador da Algramo, uma organização que fornece máquinas de venda a granel para lojas de bairro, acredita que as pessoas possam se acostumar com itens reutilizáveis. “Por exemplo, em nossos primeiros anos, apenas 5% das pessoas que compravam nas lojas com as quais trabalhamos retornavam com seu recipiente de detergente; hoje, são 80%”, afirmou. “Temos que manter os materiais dentro da economia e fora do meio ambiente, e parar de olhar para a reciclagem como se fosse a grande solução, quando, na realidade, a solução é a reutilização”, acrescentou.

De acordo com a Direção Geral para o Território Marítimo e a Marinha Mercante (DIRECTEMAR), órgão da marinha chilena, os itens mais frequentemente encontrados durante as operações de limpeza de praia em 2018 foram resíduos plásticos, tampas, embalagens e recipientes para alimentos, garrafas de refrigerante e peças de isopor.

“O plástico é projetado para durar muitos anos, mas está sendo tratado como descartável. Hoje, quase 50% dos plásticos produzidos são de uso único”, disse Camila Ahrendt, da Plastic Oceans Chile. “Se considerarmos que a produção desse material tem um enorme impacto no meio ambiente, não há lógica em usar e jogar fora depois de alguns minutos”, acrescentou.

Na mesma linha, Karina Arteaga, da Fundação Basura, enfatizou que a prevenção na geração de resíduos é essencial para reduzir a poluição, além de mudar os hábitos dos usuários, o que exige tempo e educação.

Exposição interativa

A exposição interativa “O que o plástico esconde?” também foi inaugurada durante o evento. Ela é gratuita e está aberta ao público até 11 de dezembro, visando conscientizar sobre os problemas causados pelo plástico no oceano e como evitá-los. A instalação inclui uma experiência sensorial dividida em várias partes, cada uma delas revelando um problema relacionado à poluição causada pelos plásticos e suas possíveis soluções.

Atualmente, está em discussão no Senado do Chile um projeto de lei que pretende limitar os plásticos de uso único, um dos tipos de resíduos mais comumente encontrados nas praias do país. Devido ao seu baixo valor econômico e aos elevados custos de sua coleta e triagem, os plásticos de uso único não são reciclados, razão pela qual não são incluídos no que se conhece como “economia circular”.

Acesse o programa completo da Cúpula Social para Ação Climática