Estados Unidos lança plano de produção de energia eólica no mar para substituição de combustíveis fósseis



27 Abril 2021

Foto: Pixabay

O governo dos Estados Unidos anunciou novas metas para concessão, financiamento e desenvolvimento da produção de energia eólica no mar, ao mesmo tempo em que cria novos empregos no país. A medida foi bem recebida pela Oceana.

“A produção de energia eólica no mar tem potencial para ser um divisor de águas na matriz energética dos Estados Unidos, substituindo os combustíveis fósseis que estão impulsionando as mudanças climáticas. Aplaudimos a contribuição do governo Biden-Harris para tornar realidade a produção de energia eólica no mar, um passo necessário em nossa estratégia climática”, disse a diretora de Políticas da Oceana nos Estados Unidos, Jacqueline Savitz.

Ela reforçou que os oceanos podem e devem ser um fator importante na redução da dependência em relação aos combustíveis fósseis. “Para que os Estados Unidos aproveitem ao máximo as vantagens desse recurso ilimitado, que pode ajudar a resolver nossos desafios climáticos e energéticos, a Oceana também está pedindo proteções permanentes contra a exploração de petróleo no mar, que é uma fonte suja e perigosa”, afirmou Savitz. “Esperamos trabalhar com a administração Biden-Harris para garantir que o desenvolvimento da energia eólica no mar inclua fortes proteções do habitat oceânico, principalmente para a baleia-franca-do-Atlântico-Norte, em perigo crítico”.

Uma recente análise da Oceana concluiu que não fazer novas concessões para exploração de petróleo e gás no mar poderia evitar mais de 19 bilhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa, bem como mais de 720 bilhões de dólares em danos a pessoas, propriedades e o meio ambiente. Além disso, a análise concluiu que evitar novas concessões também salvaguardará a economia limpa na costa Americana, que sustenta cerca de 3,3 milhões de empregos no país e gera 250 bilhões de dólares em PIB, por meio de atividades como turismo, recreação e pesca.

 No Brasil, exploração de petróleo pode atingir área protegida

O governo brasileiro lançou, em 2019, leilão para exploração de quatro blocos da bacia de Camamu-Almada, região próxima ao Parque Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia.

Com isso, uma grande mobilização foi liderada pela Conexão-Abrolhos, grupo formado pela Oceana em parceria com WWF-Brasil, Rare-Brasil, Conservação Internacional (CI-Brasil) e SOS Mata Atlântica. Diversas ações foram realizadas para alertar sobre os impactos de um possível derramamento de petróleo na região.

Abrolhos é uma área de alta sensibilidade ecológica. É também importante para a reprodução das baleias-jubarte que são vistas todos os anos na costa brasileira. Em caso de acidente com derramamento de óleo, os impactos poderiam se estender do litoral norte da Bahia até a costa do Espírito Santo, incluindo toda a região dos Abrolhos, colocando em risco o maior banco de corais do Atlântico Sul, manguezais, espécies ameaçadas de extinção, além da economia da pesca artesanal e do turismo na região. 

A viabilidade ambiental do leilão foi questionada pelo Ministério Público, e a Justiça decidiu colocar sob judice as atividades em áreas próximas ao arquipélago de Abrolhos. O certame foi realizado em outubro de 2019, com nova rodada em novembro de 2020. Nenhuma empresa do setor mostrou-se interessada nos quatro blocos da Bacia de Camamu-Almada em ambas rodadas.

“Apesar de o governo federal não ter recuado, mesmo com a área sob questionamento judicial, podemos constatar que a mobilização foi fundamental para mostrar aos investidores os riscos socioambientais e de reputação que correm.  Além das áreas de Camamu-Almada outras estão na lista dos leilões no curto e médio prazos. É importante estar atento, pois a produção de óleo em bacias como a de Potiguar e Pará-Maranhão-Barreirinhas tem potencial para afetar áreas muito sensíveis como as reentrâncias maranhenses, o Parcel Manuel Luis e Fernando de Noronha”, afirmou o diretor-geral da Oceana no Brasil, Ademilson Zamboni.