Investigação da Oceana no México revela que 31% dos peixes comercializados não correspondem ao que estava no selo de venda



03 Abril 2019

A Oceana revelou, em seu relatório “Gato por Lebre”, que um em cada três peixes analisados não correspondiam ao que era anunciado, tanto no balcão da peixaria como nos cardápios dos restaurantes.

A pesquisa detectou que 1/3 das 400 amostras observadas em restaurantes, supermercados e peixarias na Cidade do México, Mazatlán e Cancún eram fraudadas.

“Os resultados da análise de amostras provenientes das três cidades nos apontam que, todos os dias, centenas de consumidores no México pedem uma espécie e recebem outra”, afirmou Renata Terrazas, diretora de campanhas de Transparência da Oceana no México.

Terrazas explicou que, comparativamente, os níveis de fraude foram menores nos supermercados (17%), se comparado aos restaurantes (34%) e lojas de pescados (36%). No entanto, foi nos supermercados que se observaram as piores práticas de substituição de espécies, uma vez que produtos baratos são vendidos ao público com nome e preços de espécies bem mais caras.

A pesquisa realizada pela Oceana é a primeira desse tipo no México e utilizou o método de identificação genética de DNA para examinar em laboratórios as amostras obtidas em 133 estabelecimentos.

Pedro Zapata, diretor geral da Oceana no México, afirmou que a análise da amostragem não estava focada em uma espécie em particular, o que permitiu documentar uma alta diversidade de espécies comercializadas nas três cidades. Foram observadas pelo menos 100 espécies comercializadas, sendo vendidas com apenas 48 nomes comerciais. A pesquisa apontou que o peixe mais substituído foi o marlin, seguido pela sierra, o mero, o huachinango e o robalo*.

Para a Oceana, as deficiências de informações da cadeia de produção e comercialização de peixes permitem que exista a substituição de espécies, e abrem portas para a comercialização da pesca ilegal.  A organização sugere três ações básicas ao governo mexicano para atacar o problema:

1. Criar regras para a rotulagem dos produtos provenientes do mar, oferecendo ao consumidor informações de qualidade;

2. Criar uma norma obrigatória de rastreamento de produtos marinhos, com os dados sobre o caminho percorrido do mar até a mesa;

3. Elaborar uma lista oficial com nomes das espécies de peixes e mariscos consumidos no país.

No Brasil, também não há rastreabilidade efetiva dos pescados comercializados. “É fundamental que o Brasil implemente sistemas de rastreabilidade para a pesca, assim como os que já existem hoje para outros setores, garantindo procedência e controle de qualidade do que é vendido para o consumidor. Medidas de controle e rotulagem para identificação correta garantem não só a saúde da população, mas também a proteção de espécies ameaçadas, por exemplo” afirma o diretor científico da Oceana no Brasil, o oceanógrafo, Martin Dias.

 Conheça o relatório completo do estudo realizado no México (em espanhol) em: www.gatoxliebre.org.  

* Os nomes comuns das espécies foram mantidos em espanhol.