Oceana apresenta relatório sobre poluição por plástico à Marinha do Brasil



13 Abril 2021

Foto: Ricardo Gomes/Instituto Mar Urbano

Nesta quarta-feira (14/4), a Oceana apresenta o relatório “Um oceano livre de plástico – desafios para reduzir a poluição marinha no Brasil” em webinário promovido pela Marinha do Brasil sobre poluição marinha por plásticos. O evento busca prover conhecimento científico para os trabalhos da Comissão Técnico-Científica para o Assessoramento e Apoio das Atividades de Monitoramento e a Neutralização dos Impactos Decorrentes da Poluição Marinha por Óleo e outros Poluentes na Amazônia Azul (ComTecPolÓleo).

O relatório da Oceana traz a radiografia da poluição marinha por plástico no país e propõe soluções para enfrentar o problema. De acordo com o estudo, somente o Brasil é responsável por pelo menos 325 mil toneladas dos resíduos que são levados ao mar a partir de fontes terrestres, tais como lixões a céu aberto e descartes inadequados. “A maior parte desse lixo marinho é composta por produtos e embalagens plásticas descartáveis. As medidas para reciclagem e tratamento desse resíduo sozinhas nunca resolverão o problema que é crescente e urgente, é preciso reduzir a produção desse material”, alerta a gerente da campanha de combate à poluição marinha por plásticos da Oceana, a engenheira ambiental Lara Iwanicki.

A indústria brasileira produz anualmente cerca de 500 bilhões de itens plásticos descartáveis tais como copos, talheres, sacolas plásticas, e embalagens para as mais diversas aplicações. São 15 mil itens por segundo. Lara Iwanicki explica que, em geral, esses itens não são concebidos, projetados ou colocados no mercado para serem reutilizados ou terem rotações no seu ciclo de vida – são feitos para consumo e descarte imediato, gerando grande quantidade de resíduo não biodegradável. Uma vez no mar, os prejuízos para a vida marinha e para quem vive dosa recursos do mar são enormes.

Para reduzir a poluição marinha por plástico, o estudo apresenta uma série de recomendações. Uma delas é a criação de uma lei nacional que reduza a produção e o uso de itens plásticos descartáveis. A Oceana também propõe a criação de Zonas Livres de Plásticos (ZLPs) e o compromisso de empresas em oferecer alternativas livre de plástico descartável aos consumidores.

GRUPO DE TRABALHO

O webinário desta quarta-feira será mediado pelo professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO/USP), e contará com a participação de representantes de diferentes setores relacionados ao tema. Esta etapa do grupo de trabalho é fechada para convidados.

A ComTecPolÓleo foi criada em outubro de 2020 com o objetivo de conceber um mecanismo de articulação técnico-científico inclusivo, em prol do aumento da capacidade de detecção e prevenção de impactos. Também faz parte da atuação a mitigação de danos em situações de ameaça ou de desastres ambientais decorrentes da poluição por óleo e outros poluentes no mar – inclusive os plásticos.

 

Acesse:  “Um oceano livre de plástico – desafios para reduzir a poluição marinha no Brasil