Oceana desenvolve método pioneiro para gerenciar áreas marinhas protegidas



18 Junho 2019

Estudo publicado na revista científica Conservação aquática: Ecossistemas marinhos e de água doce apresenta método para aprimorar o manejo e a conservação de áreas protegidas. A pesquisa, realizada pela Oceana e pelo Instituto Espanhol de Oceanografia (IEO), traça o mapeamento do monte submarino Seco de los Olivos, área protegida pela legislação da União Europeia. O monte submarino tem uma altura de 600 metros e está localizado na costa da Andaluzia, na Espanha.

O modelo utiliza algoritmos estatísticos para gerar mapas contínuos de habitats do leito marinho, combinando dados visuais e geológicos. A definição desses habitats profundos só foi possível graças a uma série de expedições científicas ao longo de quase dez anos. Com o uso de tecnologia de ponta, como robôs subaquáticos, sistemas de sonar de varredura lateral, dragas e coleta seletiva de amostras, 13 habitats principais foram identificados.

É a primeira vez que a metodologia foi usada no Mediterrâneo e a expectativa é que se torne referência internacional para melhorar a gestão dessas áreas. “Apenas 3% das áreas marinhas protegidas no mundo possuem sistemas de gestão eficazes que levam em conta o ecossistema como um todo e abordam todos os possíveis impactos. Essa falta de gerenciamento faz deles ‘parques de papel’”, explicou Ricardo Aguilar, diretor de pesquisa da Oceana na Europa.

BRASIL

Das 41 unidades de conservação federais (UCs) marinho-costeiras no Brasil, apenas 20 apresentam Planos de Manejo e 31 possuem Conselho Gestor. As áreas também não dispõem de estudos que avaliem sua efetividade e se cumprem o propósito de proteger a biodiversidade marinha.

Em 2018, o país cumpriu a meta 11 de Aichi, que previa a proteção de [IL1] 10% de águas marinhas e costeiras. As duas novas UCs nos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, em Pernambuco, e Trindade e Martim Vaz, no Espírito Santo, foram responsáveis pelo salto de 1,5% para quase 25% de áreas marinhas protegidas no país. Apesar disso, há ainda ecossistemas importantes sem proteção, como as áreas de manguezais, corais profundos e áreas de talude.

“O Brasil precisa, com urgência, ampliar suas áreas marinhas protegidas, essa é uma estratégia muito importante para conservar espécies e ecossistemas marinhos. Além disso, é muito importante construir e implementar planos de manejo eficientes para as áreas protegidas já existentes, só assim a proteção será realmente efetiva”, disse o diretor científico da Oceana no Brasil, o oceanógrafo Martin Dias.

TECNOLOGIA

No modelo desenvolvido pela Oceana na Espanha que utiliza imagens 3D, cada cor representa uma comunidade biológica diferente. A distribuição dos ecossistemas vulneráveis ocupa uma parte importante do monte submarino, o que demonstra ser um ponto crítico para a conservação da biodiversidade no Mediterrâneo.

“Os resultados obtidos em Seco de los Olivos serão usados para definir o plano de manejo para essa área. A abordagem adotada pode ser usada como modelo para outras áreas marinhas protegidas”, afirmou Ana de la Torriente, investigadora contratada pelo IEO que liderou o trabalho.

A Oceana e o IEO já trabalharam juntos em diferentes projetos.

A colaboração entre instituições públicas e Organizações Não Governamentais (ONGs) resultou em avanços à proteção de áreas únicas e ecossistemas vulneráveis.