Oceana faz um chamado a Reduzir, Restaurar e Pesquisar para salvar o oceano



08 Junho 2020

Por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos, a Oceana chama a inovar para que se possa ajudar a recuperar a abundância que o oceano teve no passado. A Organização destaca que a tecnologia, por si só, não salvará o oceano, e que a Natureza pode ser a maior inovadora ao construir ecossistemas marinhos saudáveis ​​e resilientes para combater os impactos humanos negativos. A verdadeira inovação na conservação dos oceanos está em aliviar as pressões humanas e deixar que os ecossistemas oceânicos cumpram seu próprio papel.

“Este ano, o Dia Mundial dos Oceanos é dedicado à ‘inovação para um oceano sustentável’, e ao pensar em ‘inovação’, geralmente pensamos em ‘alta tecnologia’”, explicou Pascale Moerhle, Diretora-geral da Oceana na Europa. “Mas não devemos nos esquecer das soluções comprovadas, de ‘baixa tecnologia’ ou até mesmo ‘sem tecnologia’ que estão disponíveis a nós, e que ainda não estamos aproveitando ao máximo. A melhor inovação seria usar práticas de pesca sustentáveis, reduzindo a poluição e protegendo verdadeiramente os ecossistemas marinhos vitais”.

 

Reduzir

Uma solução não tecnológica que seria vital para resolver alguns dos problemas menos visíveis é reduzir a atividade pesqueira em áreas estratégicas, para possibilitar que as populações de peixes se recuperem e retornem em abundância. O ser humano não precisa intervir para que as populações de peixes se regenerem, pois os ecossistemas marinhos respondem muito bem à redução da pressão humana.

Da mesma forma, não são necessárias soluções tecnológicas complexas para mitigar o impacto do lixo marinho e, principalmente, dos plásticos descartáveis. A questão central é promover um comportamento inovador por parte de empresas e indivíduos, que devem voltar a hábitos antigos e recusar itens desnecessários, reduzir o consumo de plástico e reutilizar objetos – por exemplo, por meio de sistemas de devolução de depósitos.

 

Restaurar

Investir na restauração de habitats de carbono azul, como marismas e florestas de kelp, é uma solução natural e que compensa em termos econômicos para ajudar a combater as mudanças climáticas. Esses habitats cobrem apenas 10% da área, mas armazenam a mesma quantidade de CO2 das florestas terrestres. Por sua vez, esses ecossistemas marinhos fortes e saudáveis ​​também proporcionam benefícios socioeconômicos, pois são criadouros essenciais para peixes comerciais e outras formas de vida marinha.

 

Pesquisar

Já existe tecnologia para resolver problemas persistentes, como a pesca ilegal Não Declarada e Não Regulamentada, e basta implementar essa tecnologia. Na Espanha e na Grécia, em embarcações de pequeno porte, foram instalados rastreadores de localização com boa relação custo-benefício, pequenos e à prova de adulteração, gerando benefícios para a renda dos pescadores. Os pescadores locais estão usando seus telefones celulares para informar os compradores de sua chegada ao porto, aumentando sua base de clientes e informando as autoridades fiscalizadoras de suas atividades de pesca.

A tecnologia também pode desempenhar um papel vital, ajudando-nos a explorar e entender melhor a riqueza e a diversidade dos ecossistemas marinhos. A maior parte do nosso oceano permanece inexplorada, o que é uma oportunidade desperdiçada de entender completamente o funcionamento do mar profundo, a interação entre diferentes espécies e a dinâmica que influencia o papel do oceano na regulação do clima.

“O equilíbrio entre tecnologia e Natureza é a melhor maneira de garantir a proteção do oceano. Às vezes, é uma questão de deixar a natureza se cuidar, permitindo que processos naturais moldem as nossas costas, reparem ecossistemas danificados e restaurem a resiliência natural. Inovação e tecnologia não são um fim em si, nem florescem no vácuo. É necessário haver liderança e ambição contínuas, além de uma verdadeira vontade de implementar esses compromissos, assinados tantas vezes com o uso de outro objeto de baixa tecnologia: uma caneta esferográfica”, disse Vera Coelho, Diretora Sênior de Incidência da Oceana na Europa.