Oceana lança campanha para proteger as baleias-francas-do-Atlântico-Norte



25 Setembro 2019

A Oceana lançou este mês uma campanha nos Estados Unidos e no Canadá para evitar a extinção da baleia-franca-do-Atlântico-Norte. A espécie sofre sérias ameaças por enredamento em equipamentos de pesca e colisão com navios. Hoje sua população é de apenas 400 indivíduos. 

Desde 2017, foram confirmadas 28 mortes de baleias-francas do Atlântico Norte na região. Somente entre junho e julho deste ano, oito desses grandes mamíferos morreram por colisão com navios. “Velocidade e conveniência não podem ser priorizadas em detrimento da sobrevivência dessa espécie icônica”, defendeu diretora de políticas da Oceana no Canadá, Jacqueline Savitz. 

Esses animais receberam seu nome em inglês – right whale – por serem as baleias “certas” para a caça, pois são encontradas com frequência perto da costa, nadam devagar e quando mortas tendem a flutuar. Caçadas sistematicamente por muitos anos e sua população caiu de 21 mil para menos de 100 indivíduos na década de 1920. Em 1935, a caça foi proibida e, em 2010, população aumentou para 483 indivíduos. 

No entanto, esse avanço está ameaçado. “Se não agirmos rapidamente, poderemos ter uma espécie de baleia extinta no oceano Atlântico pela primeira vez em séculos”, alertou Jacqueline Savitz. 

Ameaças

A cada ano cerca de 100 baleias-francas do Atlântico Norte acabam presas em equipamentos de pesca usados para capturar lagosta, caranguejo-de-neve e peixes de fundo. Estima-se que 83% de todas as baleias existentes já ficaram presas em redes de pesca pelo menos uma vez na vida. Os cabos utilizados nos aparelhos de pesca dificultam o nado, a reprodução e a alimentação, além de causar afogamento. Feitos de materiais resistentes às intempéries do mar, as linhas atravessam a carne dessas baleias, causando infecções potencialmente fatais. São tão fortes que conseguem cortar barbatanas e caudas, penetrando até os ossos.

Outra ameaça é a navegação, rotas comerciais coincidem com a área de ocorrência das baleias. Essas baleias nadam vagarosamente a apenas 9 km por hora e, geralmente, perto da superfície da água. Já os navios, que muito velozes não conseguem manobrar a tempo de evitar colisões com as baleias, o que pode causar lesões mortais por traumatismo ou cortes causados pelas hélices. 

A campanha

A Oceana defende a imediata intervenção dos governos dos EUA e do Canadá para evitar novas mortes da baleia-franca do Atlântico Norte por colisão ou enredamento. Entre as medidas propostas está a redução da quantidade de equipamentos de pesca.

Aproximadamente um milhão de linhas de pesca estão distribuídas pelas rotas de migração de baleias-francas e nas áreas de alimentação nos dois países”, conta a diretora de campanhas da Oceana nos Estados Unidos, Whitney Webber. “Os estudos mostram que as medidas atuais não são suficientes para protegê-las”.

A Oceana também propõe um melhor monitoramento da pesca, rastreamento público dos navios pesqueiros e estabelecimento de restrições sazonais de velocidade em áreas habitadas pela espécie, entre outras ações.


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