Oceana propõe cotas para a pesca da tainha



21 Outubro 2016

A pesca de tainha no litoral das regiões Sul e Sudeste do Brasil está acima do sustentável, enquanto a biomassa do estoque da espécie está abaixo do necessário para manter a atividade. As conclusões estão em estudo de avaliação de estoque da tainha, apresentado pela diretora-geral da Oceana no Brasil, Mônica Peres, durante reunião do Comitê Permanente de Gestão e do Uso Sustentável dos Recursos Pelágicos do Sudeste e Sul (CPG Pelágicos), na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O comitê é formado por 24 pessoas, representando paritariamente o governo e a sociedade civil.  A Oceana é uma das organizações que integram o colegiado.

A Oceana propôs a inclusão, no Plano de Gestão da Tainha, do estabelecimento de limites máximos de captura. “Precisamos urgentemente definir e implementar cotas de captura, além das outras medidas de manejo tradicional, já que as medidas de limite do esforço de pesca (número de barcos, número de dias de pesca) podem não ser suficientes para manejar esse estoque nos anos de supersafra, aumentando os riscos de colapso da pesca no futuro”, esclarece Mônica.

O estudo inclui informações sobre captura desde o ano 2000 até 2015 (período em que as informações de captura e esforço de oito das principais pescarias estavam disponíveis), além de dados de biologia da espécie (crescimento, reprodução, mortalidade) e de abundância dos cardumes. As informações permitem estimar o tamanho da população e geram informações básicas para o manejo da pesca.

 

Estabilidade

As cotas, segundo Mônica, vão, ainda, dar estabilidade à atividade produtiva. “O setor saberá quanto poderá pescar num período de vários anos, sem ficar dependendo de portarias a cada safra. Além disso, traz sustentabilidade ao ecossistema”, diz. O limite de captura também traz vantagens econômicas, de acordo com a diretora geral da Oceana. “Se o setor pesca demais, o preço cai. Se há cotas, pode-se negociar a venda com antecedência”, avalia.

As ameaças ao estoque de tainha se agravaram a partir da supersafra de 2007. “Até 2006, as capturas totais estavam abaixo do limite sustentável. Em 2007, foram capturadas 13 mil toneladas. A biomassa caiu abaixo do sustentável e, depois disso, mesmo com capturas anuais baixas, a biomassas não se recuperou”, informa Mônica.

A proposta da Oceana é incluir as cotas como mais uma ferramenta para o manejo da tainha. “Não sugerimos que se substituam todas as medidas pelas cotas, mas a gente precisa delas também”, diz.  

 

Saiba Mais

O Brasil tem uma das maiores pescarias de tainha do mundo, responsável pela mobilização de uma frota industrial de traineiras e frotas de média escala, além de milhares de pescadores artesanais.

A safra da tainha se dá justamente durante o período reprodutivo, quando os peixes formam grandes cardumes, saem dos estuários e migram ao longo da costa para desovarem no mar. Por causa dessa característica, a tainha torna-se muito vulnerável às frotas pesqueiras.