Oceana propõe criação de área protegida entre a Finlândia e a Suécia



11 Dezembro 2019

Foto: Carlos Minguell | OCEANA

A Oceana propõe que a Finlândia e a Suécia criem uma área marinha protegida transfronteiriça no Quark, ecossistema único na Europa devido às suas formações geológicas incomuns e à mescla de biodiversidade marinha e de água doce. A área, localizada no Golfo de Botnia, um estreito no mar Báltico, é Patrimônio Natural da Humanidade, título concedido pela Unesco. 

Em reunião com os dois países nórdicos, realizada no dia 4 de dezembro, a Oceana apresentou um relatório com as conclusões da expedição de pesquisa e as propostas de conservação para a área explorada. De acordo com o documento, as proteções atuais não são constantes e não garantem a preservação dessa região singular. 

O Quark (Kvarken em sueco, Merenkurkku em finlandês) abriga 71 espécies ameaçadas em nível nacional ou que exigem proteção segundo a legislação da União Europeia, incluindo o Thymallus thymallus, um salmonídeo considerado em perigo crítico, no mar Báltico. A área também abriga uma variedade de habitats, incluindo aqueles que estão ameaçados ou que são reconhecidos como hotspots de biodiversidade. Muitas espécies de peixes aparecem nessas águas, como a perca, lúcios e o e arenque do Báltico. 

“O Quark possui uma rara combinação de espécies de água salgada, salobra e doce, e é fascinante encontrar vida selvagem tão diferente prosperando no mesmo lugar”, disse Ricardo Aguilar, diretor de Pesquisa e Expedições da Oceana na Europa. Segundo ele, as mudanças climáticas e outros impactos humanos estão ameaçando essa rica biodiversidade. “É fundamental que Suécia e Finlândia trabalhem em conjunto para preservá-lo. A Oceana acredita que uma área marinha protegida internacional seria a maneira mais simples e eficaz de proteger a região”, completa.

Medidas de proteção

Quase um terço das águas do Quark é coberto por diversos tipos de áreas marinhas protegidas, mas muitas delas não incluem nenhuma medida para proteger as espécies. Por isso, a Oceana propõe o estabelecimento de uma área de proteção marinha transfronteiriça, baseada em um plano de manejo conjunto, que aborde todos os principais habitats e espécies, bem como as ameaças que enfrentam. Essa área pode ser uma Reserva da Biosfera da Unesco, um parque natural, ou mesmo duas áreas nacionais com um plano de manejo conjunto.

Em termos ideais, incluiria diferentes zonas com diferentes níveis de proteção. Entre as medidas propostas devem estar:

• Restrições à dragagem em lagoas relativamente intocadas ou onde houver desova de peixes.

• Proibição do tráfego e da ancoragem de embarcações em áreas muito rasas e com substrato fino.

• Restrições temporárias à pesca recreativa dos principais predadores (topo de cadeia alimentar), como os lúcios, durante o pico da temporada de acasalamento (de março/abril a maio/junho).

Expedição da Oceana

A proposta da Oceana é o principal resultado de um projeto que foi possível graças ao apoio generoso da Svenska Postkod Stiftelsen. Em 2018, a Oceana realizou uma expedição de pesquisa de três semanas no Quark. Foram realizados levantamentos nos lados finlandês e sueco por mergulhadores, uma câmera remota (dropcam), e amostragem. A pesquisa documentou 70 espécies (um terço de todas as macroespécies conhecidas no Quark) e dez tipos de habitats, incluindo ecossistemas menos conhecidos, como corais de profundidade.