Seminário discute alternativas para acabar com a poluição por plásticos, reduzindo impactos no oceano



18 Março 2021

Webinar Design para Ação Climática, disponível no Youtube do Museu do Amanhã.

Oito milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos, volume que pode ser evitado se forem tomadas decisões visando à migração do atual modelo econômico linear para uma economia circular. E nesse ponto o design tem muito a contribuir, como mostram as apresentações do webinar Design para Ação Climática, promovido nesta quarta-feira (17) pela plataforma What Design Can Do, com apoio da Oceana, do Museu do Amanhã e do Hub Economia Circular Brasil.

O Seminário faz parte da divulgação do prêmio No Waste Challenge que tem como objetivo impulsionar a busca de soluções para a poluição no planeta. Em 2020, a Oceana lançou o relatório Um Oceano Livre de Plástico – Desafios para a Redução da Poluição Marinha, reunindo informações sobre o cenário da produção e descarte de plástico no país. A publicação e o apoio ao No Waste Challenge são partes da campanha desenvolvida pela organização para reduzir a poluição marinha por esse material.

“Mas nada disso acontece sem uma base científica sólida. E os desafios propostos pelo What Design Can Do reforçam essa posição de organização orientada pela ciência”, afirma o diretor-geral da Oceana, o oceanólogo Ademilson Zamboni.

Economia circular é um modelo de produção baseada em três princípios: eliminar resíduos e poluição desde o desenho do produto; manter materiais em uso; e regenerar sistemas naturais. “Economia circular não é reciclagem”, esclarece Mike Oliveira, representante da Fundação Ellen McArthur. “Reciclagem apenas transfere o problema para o final da cadeia de produção linear, baseada em extrair, produzir e desperdiçar, sem levar em consideração os limites planetários, as mudanças climáticas, o uso de terra e a perda da biodiversidade”, explica.

Para se ter uma ideia, somente o Brasil produz cerca de sete milhões de toneladas de plástico por ano, quantidade que coloca o país na posição de maior produtor da América Latina. Desse montante, três milhões de toneladas são de plásticos de uso único. Essa produção equivale a 500 bilhões de itens plásticos descartáveis por ano, como mostra o estudo Um Oceano Livre de Plástico, publicado pela Oceana.

“A quantidade de resíduos gerada por esse descarte é tão alarmante que nenhum sistema de reciclagem poderia dar conta”, afirma a gerente da campanha de redução da poluição por plásticos da Oceana, a engenheira ambiental Lara Iwanicki.

Poluição marinha por plástico

De acordo com o relatório da Oceana, pelo menos 325 mil toneladas dos resíduos plásticos são levadas ao mar a partir de fontes terrestres, tais como lixões a céu aberto e descartes inadequados. “Estamos sendo inundados por um material que não é biodegradável. Quando vemos imagens das ilhas de plástico no oceano, é apenas a ponta do iceberg, 99% do plástico que chega ao mar vai parar no fundo do oceano”, ressalta Lara.

Uma vez no mar, o plástico se divide em partículas cada vez menores, os microplásticos, que são ingeridos pelos animais marinhos e pelos seres humanos. Os microplásticos já foram encontrados na água que bebemos, no mel, na cerveja e no sal. Além disso, os resíduos plásticos impactam diretamente em quem vive da pesca e do turismo. Para ilustrar a situação, a Oceana mostrou imagens comparativas da quantidade de peixe e de plástico “pescados” em uma saída de pescador – a caixa de plástico está bem mais cheia.

Caminhos para reduzir o plástico

Para enfrentar esse problema, a Oceana apresenta propostas que vão ao encontro da economia circular: eliminar todo o plástico desnecessário; reutilizar e/ou retornar embalagens, como era algumas décadas atrás. A solução precisa de um marco legal para garantir segurança jurídica, por isso a organização propõe a elaboração de uma lei nacional que regulamente a produção e o uso de plásticos descartáveis.

Outra proposta é que empresas ofereçam aos consumidores alternativas ao plástico, porque em geral eles não têm escolhas. “Aqui temos uma grande oportunidade para o design, que é pensar em inovação para que as embalagens sejam feitas de plástico. As embalagens de plástico são o grande gargalo hoje”, completou Lara Iwanicki.

Desafio criativo tem inscrições abertas

Uma oportunidade para designers e empreendedores criativos colaborarem com essa transição de modelo econômico é o #NoWasteChallenge. Com inscrições abertas até 20 de abril, o desafio premiará com 10 mil euros iniciativas que apresentem soluções inovadoras em design. As equipes vencedoras também participarão de um programa de desenvolvimento personalizado para transformar o projeto em realidade. Cada vencedor terá, ainda, a oportunidade de apresentar seu projeto a um público global em eventos da What Design Can Do (WDCD).

O desafio tem dois objetivos: a redução do aquecimento global e a transição para uma economia circular. “Queremos conceitos criativos e inspiradores que possam reduzir o ciclo de consumo e de produção”, enfatiza a diretora do WDCD, Lara Snatager.

Exemplos de projetos inspiradores foram apresentados durante o webinar Design para Ação Climática, disponível no Youtube do Museu do Amanhã.