O Dia Mundial dos Oceanos, 8 de junho, foi celebrado este ano com debates online sobre impactos e oportunidades para proteger a biodiversidade marinha. “O desafio maior para tornar os oceanos saudáveis é concatenar a visão de proteção com a visão de produção”, destacou o diretor-geral da Oceana, o oceanólogo Ademilson Zamboni.

O diretor-geral da Oceana e a cientista marinha Lara Iwanicki participaram de transmissões ao vivo nas mídias sociais. Eles responderam perguntas do público sobre conservação, pesca e poluição marinha por plástico, entre outros temas.

“No Brasil, precisamos construir uma nova lei da pesca”, disse Zamboni em live transmitida pelos canais da Oceana. Ele citou a falta de uma base sólida que oriente as políticas públicas, além da legislação atual, que é falha e ineficiente. A mudança na lei de pesca é urgente, sendo necessária a previsão em lei da situação dos estoques e a produção de estatística pesqueira, por exemplo.

Lara Iwanicki chamou a atenção para o excesso na produção de plástico de uso único, como as embalagens descartáveis. “Eles representam cerca de 30% a 45% de todo o plástico que temos no Brasil. E apenas 7% do plástico produzido é reciclado, sendo que os de uso único não estão dentro dessa estatística”, disse.

O destino dos resíduos plásticos também deu tom aos debates na segunda edição do Fashinnovation, conferência virtual realizada em parceria com a Oceana que reuniu líderes da indústria da moda, ambientalistas e cientistas. Lara Iwanicki foi moderadora do painel “Moda é unidade na melhoria dos oceanos", realizado em colaboração com o Rio Ethical Fashion.

Ainda durante a programação do Fashinnovation, a diretora de Política da Oceana nos Estados Unidos, Jacqueline Savitz, lembrou que, em todo o mundo, as empresas produzem 400 milhões de toneladas de plásticos por ano e a estimativa da indústria é de que essa quantidade será quatro vezes maior até 2050. Desse total, 36% são utensílios descartáveis de uso único que acabam nos oceanos.

Clique aqui para assistir à 2ª edição do Fashinnovation

Responsável pela abertura do segundo dia do evento, o CEO da Oceana, Andrew Sharpless, falou sobre preservação dos oceanos, lembrando os desafios a serem superados no mundo: sobrepesca, transparência e combate à poluição marinha.

Sharpless citou, entre outros exemplos de vitórias da Oceana, a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável da Pesca no Rio Grande do Sul, construída com apoio da Oceana Brasil e a mobilização da Conexão Abrolhos para coibir o leilão de blocos de petróleo e gás na região próxima ao Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, na Bahia.

A Oceana apoiou, ainda, o debate virtual Um oceano de possiblidades – conservação dos oceanos em tempos de Covid-19, promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) no Dia Mundial dos Oceanos.


A seguir:

Proteção dos oceanos em tempos de pandemia COVID-19

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