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O conceito é relativamente novo, especialmente no Brasil. Ainda que na literatura científica não exista uma definição clara, já existem algumas experiências bem-sucedidas na sua implementação, sendo a maioria delas no exterior. Mas colocá-lo em prática pode ser menos complicado do que se imagina à primeira vista. Afinal, o que é uma Zona Livre de Plástico (ZLP)?

As ZLP podem ser definidas como áreas onde não são fornecidos, comercializados ou utilizados plásticos de uso único, reduzindo assim o impacto desse material no meio ambiente. Elas podem ser bastante diversas, desde escritórios corporativos, residências, mercados, aeroportos, escolas e universidades, hotéis e bares de praia, até festivais culturais, eventos comerciais e cidades inteiras. Nessas áreas, os plásticos descartáveis são substituídos por outros materiais ou por opções reutilizáveis.

O conceito Zonas Livres de Plástico é empregado pela Oceana a nível global e, no Brasil, é peça-chave da campanha de Combate à Poluição Marinha por Plásticos. Os plásticos descartáveis são uma ameaça duradoura para todas as espécies marinhas e para a natureza, de modo geral.

Uma vez no ambiente, o plástico – que é feito a partir do petróleo - nunca desaparece. O material se divide em partículas cada vez menores, chamadas microplásticos, que já foram encontradas no sal, na água que bebemos e até na cerveja.

Cada ZLP ajuda a reduzir a poluição marinha

Somente o Brasil polui as águas marinhas com 325 mil toneladas de plástico por ano. O dado faz parte do relatório Um oceano livre de plástico, divulgado pela Oceana em dezembro. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, anualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico são levadas aos oceanos em todo o mundo.

“Criar uma ZLP é uma maneira eficaz de reduzir a quantidade de plásticos que chegam ao mar, especialmente aqueles que são usados uma única vez e descartados”, explica a gerente de Campanhas da Oceana, Lara Iwanicki. “As ZLP não precisam se limitar a áreas costeiras e podem ser implementadas pelas próprias comunidades, pelos governos ou estabelecimentos comerciais, de forma individual ou por meio de suas redes”, detalha.

ZLP são bem-vindas

Uma pesquisa realizada em 2020 na ilha de Maiorca, Espanha, com apoio da Oceana, mostrou que 84% dos 756 turistas entrevistados estavam dispostos a pagar mais para obter um produto livre de plástico. Os hotéis da região geram uma grande quantidade de resíduos plásticos, em torno de 7,7 mil toneladas anuais. E, embora os resíduos plásticos descartáveis ​sejam gerenciados por sistemas municipais, eles não são suficientes para evitar que o plástico chegue no mar.

As ZLPs já existem!

Alguns países, incluindo Belize, Chile e Grécia, proibiram itens de plástico de uso único, como sacolas e utensílios para alimentos, ou instituíram taxas sobre sacolas plásticas. Em uma escala menor, alguns grupos de hotéis e operadoras de turismo começaram a reduzir esses itens.

Na Inglaterra, uma rede de supermercados inovou ao lançar o primeiro setor totalmente livre de plástico do Reino Unido. Com mais de 1,7 mil itens totalmente livres de plástico em suas embalagens, o projeto foi implementado em apenas algumas semanas.

A União Europeia foi pioneira ao aprovar uma lei para banir o uso de plásticos descartáveis. Em vigor desde 3 de julho, a Diretiva da União Europeia proíbe que sejam colocados no mercado itens de plástico oxidegradável e itens descartáveis como talheres e pratos, copos, sacos e sacolas e recipientes de isopor, entre outros.

ZLP no Brasil

No Brasil, a experiência mais emblemática é o projeto Noronha Plástico Zero. Desde abril de 2019, estão proibidos em toda a ilha de Fernando de Noronha (PE) itens de plástico de uso único, como canudos, talheres, pratos, sacolas, embalagens de isopor e garrafas de bebidas com capacidade inferior a 500 ml. Depois de passar por campanha educativa, a nova fase iniciada em agosto prevê multa de até R$ 22 mil ou mesmo a suspensão do alvará de funcionamento dos estabelecimentos que descumprirem a lei.

E você, como pode contribuir?

Além de demandar dos governos políticas que reduzam a produção e o uso de plásticos descartáveis, você também pode iniciar o projeto de uma Zona Livre de Plástico.

É possível implementar uma ZLP no seu local de trabalho, em hotéis ou eventos. Cada item eliminado contribuirá para a saúde dos oceanos, conservando ecossistemas e garantindo o futuro de atividades impactadas pela poluição marinha, como a pesca e o turismo.

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