Ação integrada por um oceano livre de plástico recolhe 19,6 toneladas de lixo em praia do Rio de Janeiro



27 Janeiro 2021

Foto: Ricardo Gomes/Instituto Mar Urbano

Um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, a Mureta da Urca, foi o local escolhido para uma ação ambiental-educativa de alerta sobre a gravidade da poluição marinha por plástico. Promovida pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), Instituto Mar Urbano e Subprefeitura da Zona Sul, com apoio da Oceana, a ação de limpeza juntou órgãos e pessoas da sociedade civil, no sábado (23), em busca de um oceano livre de plástico.

No total foram recolhidas 19,6 toneladas de resíduos. Os garis retiraram resíduos das pedras, da areia e até do espelho d 'água. Mergulhadores fizeram a limpeza no fundo da Baía de Guanabara, recolhendo mais de 200 detritos de material plástico em meio a uma biodiversidade inestimável. A iniciativa também contou com o apoio da OceanPact, Macau Dive e da Associação de Moradores da Urca.

“Este é um pequeno passo, com o intuito educativo, para transformar o carioca em um povo de tradição de praia para um povo de cultura de mar. Precisamos dar esse passo de agradecimento para a vida que o oceano nos dá”, afirmou o biólogo marinho Ricardo Gomes, fundador e diretor do Instituto Mar Urbano.

O material recolhido será usado numa escultura do artista plástico mexicano Ismael Torrano Montes de Oca. A obra terá formato de tubo em homenagem ao multicampeão mundial de surf Kelly Slater e será chamada de “Tsunami de Plástico”, em referência à onda de garrafas que se formou após o temporal do dia 2 de janeiro. A imagem viralizou e sensibilizou Slater, que reforçou a necessidade de reduzir o descarte de plástico no mar.

Estudo da Oceana

De acordo com o relatório Um Oceano Livre de Plástico, divulgado pela Oceana em dezembro passado, o Brasil polui o oceano com 325 mil toneladas de lixo por ano. A maior parte desse lixo marinho é composta por produtos e embalagens plásticas descartáveis, itens que, em geral, não são concebidos, projetados ou colocados no mercado para serem reutilizados ou terem rotações no seu ciclo de vida – são feitos para serem descartados após único uso.

A indústria brasileira produz anualmente cerca de 500 bilhões de itens plásticos descartáveis tais como copos, talheres, sacolas plásticas, e embalagens para as mais diversas aplicações. São 15 mil itens por segundo. Com pouca reciclagem, a maior parte acumula-se em aterros, lixões – mas uma parcela muito importante vai mesmo é para o meio ambiente.

“Após ser descartado, o resíduo plástico percorre diversos caminhos até chegar ao oceano, onde impacta a vida de milhares de animais, desde zooplâncton a mamíferos e aves marinhas, muitas delas já ameaçadas de extinção”, afirma o diretor-geral da Oceana no Brasil, o oceanólogo Ademilson Zamboni.

Para frear a poluição marinha por plásticos, a Oceana tem apontando prioritariamente algumas soluções. A primeira é reduzir na fonte a quantidade de plástico descartável e desnecessário. Embora algumas cidades brasileiras estejam avançando com leis municipais sobre o uso de descartáveis, ainda não há no país uma legislação nacional para regulamentar o uso de plásticos de uso único.

Outras propostas são a oferta de produtos e serviços sem plástico por parte das empresas e a criação de Zonas Livres de Plástico. Essas Zonas podem ser locais como estabelecimentos públicos ou privados, municípios ou eventos, que se comprometem com a redução da presença do plástico no local.


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